E eu fico sem folego ao vê-las,
Piscando, iluminando tudo ao redor
Pontos prateados, cintilantes
Sobre a imensidão do céu
E sinto, sinto a presença do meu amor
Perscruto o horizonte pelo veleiro
do meu Capitão...
Que vagueia sem destino
Pela solidão do mar, procurando
A estrela que lhe indicará qual
O rumo a tomar para me encontrar
E eu estarei lá, no seu norte,
Como sempre estive, a esperar
por você meu Capitão...
Alessandra
Para um certo Capitão...
Deixar que essa loucura me possua
Esse doce desvario que me lança no vazio
Nessa imensidão de sentimentos.
Não me importa se me exponho,
Se dou vazão ao meu sonho
Quero é construir o meu momento,
Desvendar o teu horizonte,
Fazer parar o tempo,
Na mais mágica sintonia.
Quero que percamos a consciência
Ao cairmos nessa chama de desejos.
Perder-me nesse amor incontrolável,
Saciar tua fome dos meus beijos.
Perder-me no fascínio de amanhecer contigo
Nesse prazer que é nosso por direito.
Alessandra
Era uma vez...
Assim começa esta história
Um pequeno tronco de azevinho...
De cor verde, mais verde que existe
Com enfeites de vermelho diamante
Esquecido a um canto...sozinho.
Porque estará assim triste?
Toquei-lhe suavemente...a medo
Olhou para mim com surpresa
(Com um olhar de rara beleza)
E disse-me quase em segredo:
Leva-me contigo...queres?
Peguei-lhe pela mão...
E partimos as duas sorrindo
Por entre os acordes de uma canção!
Já a Lua anunciava a noite a nascer
E o luar iluminava os cabelos do mar
Pediu-me de'mansinho:
Preciso de ti para escrever...
Uma carta ao Pai do nosso Natal
Para que este seja diferente
O início de uma festa sem igual
E o Mundo aprenda...a ser gente!
Meu querido Pai Natal
Sou um simples pedacinho de azevinho,
Lembras?...Usas-me a enfeitar teu barrete!
Desculpa a minha ousadia...
Mas, sei que me olhas com carinho!
Vou pedir-te algo para a humanidade:
12 dias de Natal de boa vontade!
No 1º dia...
Devolve-nos os sons da natureza...
Que volte o Amor pela mãe terra!
No 2º dia...
Não deixes que a voltem a enganar
Mostra-lhe a falta que nos faz!
No 3º dia...
Com tristeza e lágrimas no olhar
Oferta-lhes a magia da esperança!
No 4º dia...
No 5º dia...
Que não mais vivam em cativeiro...
E as grades não voltem jamais!
No 6º dia...
Que voltem as águas de olhar limpo...
Acabem os rios de enganos!
No 7º dia...
Acabem com a sua destruição...
Vamos multiplicar a que resta!
No 8º dia...
Desapareça do bater dos corações...
E saibamos nas margens do mesmo rio viver
No 9º dia...
Substitui por "minha alegre casinha"...
E oferece o amor de um tecto amigo!
No 10º dia...
Esqueçam a cor feia da hipocrisia...
Vivam as cores do arco-íris da verdade!
No 11º dia...
Volte o tempo do carinho e da ternura...
Voltem a conjugar o verbo partilhar!
No 12º dia...
Que seja o primeiro de muitos Natais...
Para alguém que está do Natal, perdido!
(Peace and Love)
Possa impedir de sentir o que senti
Aquele furacão dentro de mim
Devastando-me
Tolhendo-me
Subjugando-me
Tal qual uma ave
Presa na armadilha
Armadilha do amor e da paixão
Sentimentos conflitantes
Sensações urgentes, prementes
Loucura que me invade
Penetra dentro de mim
Me faz gritar
Suspirar, até chorar
É uma dança que me envolve
De tal maneira forte
Que não há como parar
É a dança do amor
Que só tu sabes dançar...
Alessandra
Mas o que é liberdade
Senão um conceito mutável
Uma utopia que evolui...
Liberdade total só se tiver poder total
E eu não o tenho
Pois continuo cativa do seu amor
Não importa o que acontece, como ou quando
Eu estou sempre lá acorrentada nessa paixão
Mas talvez eu nem queira ser livre
Ou talvez eu acredite que já o seja
Assim, erroneamente, eu caminho para um mundo feliz
Onde você é o meu senhor...
Alessandra
(Gilberto Gil e Manuel Bandeira)
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Queria me vestir de borboleta
para poder voar nos teus lábios
e sorver o teu doce sabor,
como nas pétalas de uma flor...
Voo nas asas da fantasia,
descalça, dançando nas águas sob a lua,
Cabelos soltos, olhar ardente,
vestida de cores transparentes.
Canto baixinho, sorrindo com
os lábios de menina.
Procurando nas sombras
da noite aquele jardim florido
com o olor da tua pele
e o doce sabor do nectar
da flor.
Sou fada ou menina
Borboleta ou poesia
Posso ser tudo o que eu quiser,
desde que percorra os contornos
do teu corpo e mergulhe o
meu amor em ti...
Alessandra
Ao nos olhar nos olhos que alí irrompeu
toda a paixão e amor do mundo.
Aquela sensação única, incontrolável
como se o planeta girasse a nossa volta
e nada mais existisse além de nós.
Uma mescla de passado e futuro
num torvelinho interior.
Os nossos corpos fundiram-se no fogo da paixão
e as nossas almas se uniram no melhor do céu.
Assim, no único espaço e momento,
naquele instante, o presente...
Pois o futuro pode existir somente em nossa mente
e é possível que o futuro imaginado seja falso.
O que é real é hoje, agora
Este nosso momento...
Alessandra
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade

e você aparecesse na soleira
eu nem saberia como te acolher...
Se ao entrar você me tomasse em seus braços,
como imaginei nos sonhos meus,
eu faria parar o tempo e, por encanto,
sumir toda a agonia, aquela agonia
que a sua ausência me causou.
Eu sonhei com isso tantas vezes,
esperei e, porque não, até
escrevi em poemas de amor...
Como seria segurar com força a sua mão,
deixar o meu amor penetrar no seu coração
poder te beijar quando sentir vontade,
olhar as estrelas e desejar
estar sempre ao lado seu,
gritar ao vento que estou amando de verdade,
olhar nos seus olhos e ver o mesmo
amor que o meu.
Se...
Alessandra
de um sonho recendente
daquele perfume do amor.
É um sonho doce, sem cor.
Deixe-me te encantar com
a minha doçura, que às vezes
se torna loucura pelo teu bem querer.
Deixe-me pegar pela mão e levar-te
no meu mar de prazer, enfeitando-me
com os desejos que tens e que
vejo nos olhos teus.
Deixe-me fazer-te sentir como o Sol
ao acariciar a minha pele me incendeia,
e que a água do mar não consegue refrescar
Deixe-me te mostrar o encanto
que é ao me amar e assim
perceber que é impossível me esquecer!
Alessandra
Garcia Lorca
Quero estar de bem com a vida
mesmo em momentos dolorosos,
pois a vida é um panorama maravilhoso
e só quem é tolo pode lamentar
o que não se pode mudar.
Grande ou pequena,
triunfante ou trágica
a vida passa como uma tapeçaria,
desenhada com proezas humanas,
tecida numa tela de procedência divina,
tingida com a glória das ações de cada um
para serem lembradas por várias gerações.
Um dia vou conhecer todas as histórias,
as esperanças e os sonhos,
as promessas quebradas,
os feitos ousados ou tolos,
os amores declarados ou perdidos,
as perguntas não respondidas...
e, assim, poderei corrigir os erros
e desvendar o segredo do
mistério que se chama felicidade!
Alessandra
talvez seja uma fantasia, um sonho louco sem fim,
ou apenas uma quimera...
Mas pensando bem o que eu quero é tão pouco,
apenas quero um sonho de amor.
Um amor que me conquiste com muita ternura,
que torne tão grande esse meu coração pequeno,
com doçura no olhar, sorriso sedutor
que seja como um suave veneno a me penetrar,
desvendando todos os meus segredos.
Que me cubra de beijos e faça explodir esse
meu latente desejo num frenesi ansioso, impaciente
para se consumar.
Que me conquiste, me embriague,
me faça perder o medo, esse medo de amar,
que me faça querer dar tudo de mim
apenas com um olhar.
É isso o que eu desejo se queres me conquistar...
Alessandra
- Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
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